Que a sua alma e as almas de todos os fiéis que partiram, pela misericórdia de Deus, descansem em Paz.
Dá-lhe Senhor, Descanse eterno.
Turma S-12 - 1º Semestre de 2008 - Campus II - Santana
Sonhar é ir além do alcance de nossos pés. Quando embriagados pelas emoções ousamos acreditarmos na verdade no amor, na justiça e na paz.
Somos espelhos, que refletimos um doce e amargo viver, sentir-se isolado é algo perturbador não suportamos o silêncio, pois o mesmo estimula nosso raciocínio e quem disse que queremos raciocinar? Queremos nos deparar com a realidade nua e crua? Jamais. Quando descansamos somos assaltados por idéias que a muito pensávamos que já tínhamos esquecidos. Quando o silêncio se mostra presente corremos para ligar a televisão ou o rádio, fugimos do confronto existente entre nossa consciência de nossa realidade.
Ô cordeiro imolado saberias me dizer se conhecia esse destino? Hora seremos nós meros mortais fadados ao esquecimento, fadados a viver ciclos enigmáticos e místicos?
Hora não é esse o parecer dos pensadores, aonde eles queriam chegar com seus dilemas? Espelhos que refletem ilusões sempre as quais gostariam, imaginariam nunca as reais. Somos artistas de um único show, ensaiamos um único papel e sempre repetimos as mesmas falas. Espelhos que contemplam a luz, mas não a reflete, pois embaçados pelo orgulho. Somos cópias do que já fomos um dia, já amamos, choramos rimos, hoje apenas ousamos acreditar que ainda isso fazemos. Somos obrigados a mentir para nós mesmos a fim de que os outros também acreditem em nossas ilusões e assim alimente-nos com migalhas de emoções.
Quem tem amor próprio? Sábios são os que se isolam da multidão, pois não se enganam não se corrompem em pensamentos atos e omissões. Quantas vezes nos omitimos perante a nós mesmo? Somos fieis e nós? Somos livres?
Perguntas que nada respondem, incitações que nada modificam, apenas repousam em mais um espelho que refulge e se apaga.

Ícones do mistério:
A experiência de Deus.
Façamos o homem (“varão e mulher os fez...”) segundo (nossa) imagem [..] e semelhança[...] Gn 1,26
Se analisarmos mais profundamente essa frase podemos concluir que o caminho a conhecer Deus não se não o caminho de conhecermo-nos a nós mesmos. Pois Deus nós faz a sua imagem e semelhança, mas também Deus é a imagem e semelhança dos seres humanos.
Isso podemos deduzir a partir do reconhecimento que inúmeras religiões tem desse processo de auto-conhecimento, para assim conseguir realizar uma experiência verdadeiramente mística, o deixar-se inundar na alma de Deus e com ela formar-se apenas uma. Não confundimos aqui essa experiência (mística) como um querer racional de encontrar a Deus, pois essa forma racional de encontrar Deus está fadada ao fracasso como nós mesmo já sabemos e o próprio texto nos remete “queres vós ser como Deuses”?(Gn 3,5) eis que o próprio orgulho do ser humano em “ser com deus” faz com que ele seja expulso do paraíso.
Pg. 12
Para saber algo de Deus é preciso conhecer o ser humano, assim como para crer em Deus é preciso crer em nós mesmos. “quem se conhece a si mesmo conhece a Deus”, diz Clemente de Alexandria.
Quem conhece Deus conhece todas as coisas, pois em Deus “vivemos. Nos movemos e somos” (At 17, 28).
Pg. 14
De Deus só se pode falar propriamente em vocativo, na invocação desde o fundo da alma, onde o mistério habita como hóspede discreto e invisível no escondido. Tudo o mais é idolatria (Mt 6, 6-7).
A trindade nos diga que Deus é relação (se fosse “substancia” seria triteísmo), e que nessa relação entramos também nós e o cosmo.
Pg. 15
Não só a criação é novidade constante, mas também o “Deus vivo” (expressão recorrente na escritura cristã) é sempre novo para nós, que somos (ainda) temporais.
O ícone não é subjetivo, pois não é uma fantasia individual. Nem exclusivamente objetivo, pois requer que o vejamos como tal símbolo.
Pg. 16
Resumindo, o ícone é uma epifania do invisível, porém para que se veja o invisível é preciso ter aberto o olho da fé, que nos permite a todos ver se o mantemos puro. A fé, á diferença da crença, é uma invariável humana.
Pg. 17
O último véu não se pode des-velar, porque, ao mesmo tempo que se revela, também vela, posto que a Deus ninguém viu (Jo 1,18). Tal é o mistério divino (Mt 11,25; Lc 10, 21). O autentico ícone é transparente, invisível, mas bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus (Mt 5,8) = a guardem silêncio.
Pg. 20
Não há experiência possível de Deus, pelo menos no sentido monoteísta da palavra. Muitas vezes se aprisionou a Deus pretendeu-se apreendê-lo, seria a expressão acadêmica em nossa contingencia a criaturabilidade.
Tampouco há experiência de Deus para si (genitivo subjetivo). Em Deus não cabe o genitivo, posto que não adiantaria nada o que á é. Este mesmo verbo --- ser----- é inapropriado.
Pg. 29
A experiência da humanidade, através da oralidade e da escrita nomeia e entende Deus como símbolo, como nome, não como conceito. A origem sânscrita da palavra “Deus”, dyau (dia), sugere o brilhante, a luz, a divindade (como no grego Theos). A luz permite ver e dar vida. Não sem motivo o sol é aceito universalmente também no catolicismo, como um dos símbolos divinos.
Pg. 31
Não se pode falar de Deus sem um prévio silêncio interior:
Pg. 33
O discurso sobre Deu é radicalmente distinto de qualquer outro discurso sobre qualquer outra coisa, porque Deus não é uma coisa. Seria, então, um mero ídolo.
Pg. 34
Não há parâmetros adequados que nos permitam falar do “funcionamento” desta realidade a que chamamos “Deus”. O discurso sobre Deus é único, portanto, incomparável a todas as demais linguagens humanas. E irredutível a qualquer outro discurso.